Como o Medo da Vulnerabilidade Afeta Suas Relações – ENTREVISTA ao programa RBN Notícias

A Importância da Vulnerabilidade nos Relacionamentos

Explorar a vulnerabilidade e compreender seu impacto nas relações pessoais e profissionais são temas essenciais abordados na entrevista com Marcelo e Marcos no RBN Notícias. Eles discutem como o medo de mostrar fraquezas pode sabotar conexões autênticas e a resolução de conflitos, tanto em casa quanto no ambiente de trabalho. A conversa gira em torno da necessidade de autoconhecimento e flexibilidade para criar um ambiente propício ao diálogo e à colaboração.

Com o Jornalista Marcos de Souza do programa RBN Notícias, Fundação André Luiz.

 

Medo da Vulnerabilidade

Marcos: De nós evitamos mostrar aí as nossas fraquezas, né? Na prática, Marcelo, como o medo de ser vulnerável se manifesta no dia a dia das pessoas? E qual o custo invisível que essa armadura emocional traz para a saúde dos nossos relacionamentos mais importantes?

Marcelo: Essa é uma excelente pergunta, Marcos. Primeiro quero falar diretamente ao nosso ouvinte — até convido a deixar mensagem dizendo o que está sentindo.
Aquele ouvinte que sempre cede, que nunca impõe a própria vontade ou ponto de vista… Muitas vezes ele até sabe o que pensa, mas não se posiciona: aceita a opinião dos outros como se fosse a sua, fica chateado, se magoa. Por quê? Por medo de magoar, de deixar alguém chateado. E, por isso, se anula. Vai se recolhendo para o próprio mundo, e aí começam a surgir questões psicológicas. Qual é o impacto disso num relacionamento?
Imagine um relacionamento sem diálogo. Onde, por medo próprio ou porque o outro não permite, apenas um lado decide e tem poder de escolha — e o outro se anula. Como alguém se sentiria assim? Quando falamos disso, é importante notar que o medo da fragilidade pode fazer tudo ruir — não só nos relacionamentos, mas no trabalho também. Vivemos o mundo da alta performance, da entrega, do resultado. E como se chega ao resultado? Colocando o seu ponto de vista. Muitas vezes é importante até defender uma ideia. Mas se a pessoa tem medo de defender, complica — e isso não se aprende na escola. Falta autoconhecimento: conhecer a si, ao outro, e a melhor forma de interagir. Relacionamentos importam: com sua chefia, diretoria, em casa, aqui entre nós — com o Jefferson na técnica. Quando todo mundo se entende, o clima é bom; quando não, o clima pesa.

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Relações Íntimas e Vulnerabilidade

Marcos: Agora, Marcelo, em relações íntimas, como a falta de vulnerabilidade sabota a conexão e a resolução de conflitos?

— Marcelo: A falta de vulnerabilidade aparece em dois extremos.
De um lado, a hipersensibilidade: qualquer coisa chateia e a pessoa se fecha. Costuma ocorrer em perfis melancólicos. Do outro, o excesso de rigidez: gente muito dura, impositiva, que quer sempre colocar o próprio ponto de vista e decisão — às vezes até forçando o outro a “bater de frente” numa discussão para “achar o ponto”. Pense num casal: um movido pela praticidade, energia intensa de resolver; o outro, mais vulnerável. Esse relacionamento pode funcionar se houver consciência de si dos dois. Sem autoconhecimento, o inquebrável impõe, impõe, impõe; o outro cede, cede, cede — até que a conta pese para ambos. No começo, o impositivo “vence” discussões; depois, as brigas param. Ele se frustra porque o outro não reage e tenta forçar o conflito. Isso pode escalar para agressão ou separação. Isso independe de gênero: tanto homem quanto mulher podem ocupar esses papéis. Uma energia vem do estômago (fazer, resolver); a outra, do coração (sensibilidade). Cada um tenta puxar para o seu lado.
Daí a importância de compreender o outro. Sem isso, o fim pode ser separação, agressão — e, com crianças, pior: elas crescem achando que esse padrão é normal e reproduzem na vida adulta.

A Coragem de Ser Vulnerável

— Marcos: Muito bem. O tema de hoje no RBN Notícias é “Como o medo de ser vulnerável afeta as nossas relações”. No trabalho, perder a pose ou pedir ajuda afeta colaboração e inovação. Voltando nisso: pessoas submissas têm medo de perder o emprego e não impõem seu ponto de vista, certo?

— Marcelo: Exatamente. E muitos chefes pedem justamente o contrário: que você coloque seu ponto de vista de forma prática. Somos cobrados por isso — muitas vezes pagos por isso.
Se ficamos fazendo sempre a mesma coisa, sem nos posicionar, não somos produtivos.
Qual o risco de impor sua visão? Pode ser demitido. Mas, se não se posicionar, o risco é o mesmo — por não entregar. Isso ajuda a calibrar até onde você pode ir. A chefia precisa dar feedback para ajustar limites. Se você passa, pode haver consequência; se fica muito abaixo, não entrega seu valor. Diferente de um relacionamento, onde não dá para “testar limites” como numa empresa: no relacionamento, a “demissão” é separação. Na empresa, dá para esticar um pouco o limite para mostrar competitividade. Se a chefia entende, apoia e dá retorno. Se não entende, talvez não seja o lugar. Crescer implica se posicionar: expor ideias e planos, negociar quando não for o momento, perseverar no que acredita — e, se a empresa não seguir, entender o outro lado e oferecer contrapartidas. Flexibilidade é chave.
Muita gente diz que não cresce, que não é promovida. Muitas vezes falta se colocar. Quando você é chamado a uma discussão, é porque esperam algo de você — esse é o momento.
Eu entrevisto muita gente. Muitos dizem que não veem possibilidade de crescer e, por isso, querem sair. Vão para outra empresa e repetem o padrão: não se destacam, não colocam ideias, mudam de novo. É como varrer a sujeira para debaixo do tapete. O mundo está cobrando que você faça diferente onde está — ser o seu melhor ali, não apenas mudar.

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— Marcos: Há também uma pressão social para sermos sempre fortes. Como desconstruir a ideia de que vulnerabilidade é fraqueza e enxergá-la como coragem?

— Marcelo: Lembro do Nassim Taleb e o conceito de antifrágil — o contrário da vulnerabilidade: algo que, sob pressão, não quebra e até melhora.
A metáfora do bambu japonês ajuda: na tempestade, o carvalho quebra; o bambu se encurva e permanece. Isso exige autoconhecimento: saber limites e características. Somos cobrados por produtividade, alta performance, controle emocional, resiliência, perspicácia.
Alguns fazem “banho de gelo” para treinar resiliência — pode funcionar, mas não é para todos. O importante é construir força no sentido amplo: não só “força bruta”, mas força das ideias, negociação, imposição de visão quando necessário, e resiliência aprendida.
Essas forças ajudam a viver uma vida que vale a pena. Se você é frágil como o carvalho rígido — que quebra —, qualquer vento derruba. Então, ser forte importa, sem perder a flexibilidade.

O Primeiro Passo para a Vulnerabilidade Saudável

— Marcos: Para quem quer começar, qual seria um primeiro passo seguro para praticar vulnerabilidade saudável e criar conexões mais profundas?

— Marcelo: Assumir que pode estar errado. Não há problema em reconhecer imperfeição.
Há pessoas que precisam sempre acertar; qualquer erro vira culpa, angústia.
Quando você se permite errar, a culpa diminui e surge aprendizado.
Cito Milton Erickson: “Somos perfeitamente imperfeitos.”
Ao reconhecer isso, fica mais fácil aprender com as imperfeições e fazer melhor — para você, para a relação e para o contexto em que vive.
Até lembro de uma música sertaneja que está nas trends: um homem canta “minha mulher assumiu que estava errada”. É inspirador. Reconhecer o erro e dizer “vou fazer de tudo para acertar da próxima vez” faz você viver melhor.

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Sensibilidade, Autoconhecimento e Equilíbrio

— Marcos: RBN Notícias: medo de ser vulnerável e como isso afeta as relações. Expor demais traz o risco de ser ferido. Existe um limite? Dá para dizer “tanto por cento para cá, tanto para lá”?

— Marcelo: Não existe fórmula. É feeling: perceber quanto ser vulnerável te afeta e quanto ser “antivulnerável” impacta os outros quando você impõe seu ponto de vista.
O ouvinte precisa ajustar conforme a pessoa e o contexto: com alguns, dá para ser mais aberto; com outros, menos.
Por isso, sensibilidade é virtude crucial — um nível de desenvolvimento pessoal.
Primeiro, conhecer a si e identificar seus sentimentos. Depois, um nível mais alto: reconhecer o sentimento do outro.
Olhe para quem é próximo — cônjuge, filhos, pais. Se algo que você disse chateou, talvez você tenha passado do ponto.
Alguns têm pouca sensibilidade (mais fechados em si), outros têm muita. Em termos de temperamentos, o colérico tende a não enxergar o sentimento alheio; o melancólico enxerga quase só o dos outros e esquece a própria força.
A chave é equilíbrio, Marcos — essa é a grande questão.

— Marcos: Bom, Marcelo, chegamos ao final do RBN Notícias. Mais uma vez, muito obrigado por estar conosco.

— Marcelo: Eu que agradeço. Até a próxima.

 

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