Empresas, liberem o home office

No final do ano passado uma empresa discutia sobre a viabilidade do home office, e o discurso de alguns gerentes e diretores tinha o sentido de ser um absurdo a empresa liberar o funcionário para trabalhar de casa. O “Home Off”, ele vai estar em casa só enrolando. Foi como uma gerente enfaticamente criticou a modalidade de trabalho.

Mas algo aconteceu em menos de seis meses, o home office que foi totalmente descriminado passou a ser uma opção viável, e até mesmo necessária. Na CLT o home office está presente como a modalidade de teletrabalho, devidamente regulamentado.

O home office eu defendo desde 2013, e que os profissionais de muitos segmentos estão aptos a trabalhar a partir de casa. E neste ano foi quando eu entendi que já tínhamos tudo o que era preciso para trabalhar home office, mas em contrapartida, as empresas e seus gestores ainda não haviam amadurecidos para este modelo.

Com o advento da informática e da telefonia, tudo o que precisamos para trabalhar home é um computador, uma linha de telefone com internet veloz e quando muito de um celular. Você pode cumprir suas tarefas, participar de reuniões, gerenciar equipes remotas, fazer vendas e despachar entregas. Cada pessoa na sua casa e todos conectados.

Mas até o final do ano passado as empresas não haviam amadurecido.

Foi quando o medo no mundo se espalhou. A contaminação pelo Corona Vírus (Covid-19) que começou e devastou a cidade Wuhan na China, chegou de forma potente e devastou também a Itália. Neste momento que escrevo já são mais de 5800 mortos e mais de 153 mil casos confirmados ao redor do mundo.

Este foi um grande motivo para as pessoas evitarem a exposição e a contaminação viral. Foi então um grande motivo para voltar à tona as discussões a respeito do home office, e então o home voltou como uma solução.

Algumas grandes empresas estão pedindo para seus funcionários trabalharem a partir de casa.

Então esta crise teve um lado positivo, que eu exploro aqui.

Há algumas semanas fiz uma publicação sobre o home office, e neste artigo comentei que os gerentes e diretores precisavam de mais maturidade para implantar o teletrabalho nas suas empresas. Eu acredito que os funcionários já sabem como se portar, mas os diretores ainda não sabem gerir.

E a minha previsão se confirmou. (veja o link para o artigo ao final do texto). Naquela época eu não imaginava que um vírus potente poderia ser o motivo, mas já sabia que alguma coisa precisava acontecer.

Mas o Covid-19 foi um grande motivo, e as empresas precisaram amadurecer rapidamente.

Nos tempos em que temos mais dificuldades, somos convidados a parar e pensar, entender o que está acontecendo para criar novas soluções. Toda crise interrompe velhos padrões, e somos obrigados a nos reinventar, para continuar surfando na crista da onda. Em toda crise pode acontecer só duas coisas, você pode sofrer ou aprender. Não existe outro caminho, mas são duas as escolhas.

Mas não precisava ser o Covid-19, poderíamos ter aprendido a lição no último dia 10 de fevereiro.

Lembro-me perfeitamente deste dia, mais precisamente da noite anterior, no dia 09 quando começou a chuva e eu estava indo para a cama. Sempre gostei do barulho da chuva no telhado para dormir, e ainda pensei “a noite vai ser gostosa”. Quando acordei no dia seguinte continuava chovendo. Liguei a tv e o jornal informava mais de 50 pontos de alagamentos na cidade de São Paulo.

O saldo foi que dia 10 de fevereiro as enchentes continuariam até a noite, e São Paulo parou durante um dia.

Se as empresas liberassem para o home office, o prejuízo seria reduzido, e já estaríamos preparados.

Eu defendo também que as pessoas são mais produtivas no home office, porque cessam todas as distrações como o horário do café e de conversas pouco produtivas que acontecem várias vezes durante o dia. Acabam as reuniões que poderiam ser um e-mail e o tempo útil é mais valorizado.

Mas por outro lado as distrações de casa são outras, como o Netflix, os cachorros ou outros animais de estimação, a família. Você pode comer toda hora e se alimentar de maneira errada. Estes são os maiores obstáculos de uma rotina home office.

Mas o teletrabalho pode ter um saldo positivo e resolver várias questões.

O funcionário pode começar a trabalhar mais cedo, e dormir um pouco mais, porque ele não vai perder tempo no trânsito. Um overtime pode ser mais fácil e também mais fácil combinar jornadas de trabalhos deslocadas, reduzindo o desgaste e em alguns casos não vai haver custos extras do taxi na madrugada.

Os funcionários também vão ter mais tempo para fazer exercícios e frequentar a academia, e para estudar, que pode ser um benefício para a empresa, porque vai gerar mais produtividade.

Ainda assim, para aqueles gestores que acreditam que o profissional vai ficar enrolando em casa, o que descobrimos é que o comportamento do escritório vai se repetir também no home. Isto é, se um profissional é produtivo e focado no escritório, ele também vai ser no home office. Esta é uma lei geral. Da forma que uma pessoa faz uma coisa, ela faz qualquer coisa.

E se existe alguém pouco produtivo no escritório, é responsabilidade do gestor tomar alguma ação.

A epidemia do Covid-19 é ainda só o começo da grande necessidade das empresas estarem conectadas a partir de postos de trabalho remoto, como o home office.

E as empresas que estão aprendendo com a crise serão aquelas que vão ter grande vantagem porque estão se reinventando. Já aquelas inflexíveis, podem estar fora do mercado. Estas previsões se concretizam em questão de tempo.

 

Leia: Empresas não são maduras para o Home Office

Empresas não são maduras para o home-office

 

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